1989 e meu próprio “Wildest Dream”

1989, da Taylor Swift, tem sido um dos álbuns mais presentes em minha vida nos últimos dias. Não sei se é o “James Dean daydream look” do álbum ou se são as frases e palavras repetidas que fizeram esse álbum cair no meu gosto.

Consigo enxergar claramente diversas situações da minha vida nas experiências musicais de Taylor (baseadas explicitamente em seus relacionamentos como amizade e amores esgotados).  Taylor construiu um álbum de uma forma que condiz muito bem com uma ideia que gosto muito: Fazer o que gosta e se dedicar aos seus projetos e vontades. Porém, para chegar a esse lugar encontrado por Taylor, precisamos conhecer a nós mesmos e posso garantir que até esse sábado eu não tinha noções geométricas da minha personalidade.

Sábado, lá estou eu escolhendo uma roupa para um aniversário que teria uma festa como bônus track. Ou seria o contrário? Só sei que quatro horas lá estava eu procurando uma vestimenta adequada para a ocasião. Testei várias peças, minha impaciência com roupas e padrões de beleza me fez escolher a mais confortável. Terminei com esse procedimento e lá fui eu pegar uma condução.

Depois disso tudo, alguns acontecimentos fizeram parte da noite. Reunião com amigos, conversas rápidas e despedidas curtas deixaram a sensação de bem estar. Logo após o mais esperado chegou: A festa.

Até esse exato sábado, eu não tinha certeza se gosto ou não de festas/baladas/boates e etc. Porém, apesar de ter gostado desse momento… Agora sei que não faço parte desse grupo animado frequentador de festas que realmente se diverte até debaixo de chuva (de vodka, no caso).

As músicas começaram muito boas. Era uma mistura bem legal entre clássicos do pop e depois alguns hits radiofônicos atuais que não saem da sua cabeça e parecem ferver de um jeito tão bom todas as suas células.

Claro que teve AQUELA pessoa na festa. Porém, eu não conseguia ver uma situação adequada de me aproximar. Na verdade, eu me sentia assim em relação a tudo. Do que eu falaria caso me aproximasse de alguém? Conversar sobre meus filmes favoritos não me parece uma conversa ideal. Isso e meu outro único assunto disponível: vida acadêmica (que consome grande parte do meu tempo) não são nada simpáticos. Enfim, acabei deixando para um depois inalcançável.

Marijuana, bebidas com nomes felinos e coisas crazys y cubanas rondaram e fizeram parte da festa. Eu não consegui me encaixar, na verdade eu consegui formar um bloco de uma pessoa só e isso foi aliviante. Saber que apesar das coisas girarem em certos movimentos perto de mim, eu ainda assim consigo fazer meu próprio movimento de translação e assim passar meus dias.

Pista vazia, uma música favorita tocou e ali eu tive certeza: Estou bem sozinho, obrigado. Aceito companhia, de longa data ou passageira. Porém, eu tenho um mundo só meu que ninguém nunca entenderá plenamente. E pela primeira vez enxergo isso de forma positiva. Eu não preciso provar nada, eu sou infinito. Parafraseando com a faixa 4 do álbum da Taylor, estou out of the woods.

 

 

 

1989 e meu próprio “Wildest Dream”

10 dramas familiares que você deve assistir

Dramas familiares estão presentes em diversos filmes. Essa temática é muito explorada em grande parte deles, consiste em um certo problema que uma ou mais famílias enfrentam e que, durante a trama, tentam resolvê-lo. Filmes desse gênero, geralmente, são incríveis, porque conseguimos nos colocar no lugar das personagens e acabamos sofrendo juntamente com elas. Partindo desse ponto, resolvi fazer uma lista com os 10 melhores dramas familiares que já assisti e que você, leitor, não pode deixar de assistir. A lista será organizada de forma decrescente, de acordo com a minha preferência pessoal. Vamos à lista, então!

10 – Confiar (2010)

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O filme nos apresenta a história da família Cameron, sob o ponto de vista da filha do meio, Annie, interpretada por Liana Liberato. Nas primeiras cenas, podemos ver que a garota está completando mais um aniversário e como presente dos pais superprotetores Will (Clive Owen) e Lynn (Catherine Keener), a menina ganha um notebook.

No decorrer da trama, a garota logo se insere em um grupo de bate-papo online e acaba conhecendo um rapaz de 16 anos, o qual ela se comunica todos os dias. Longe do conhecimento dos pais, a garota se envolve muito profundamente com o rapaz, que a convida para um encontro pessoalmente. A garota, ingênua, aceita o convite, mas, as consequências desse ato acabam levando a família a um drama que marcará suas vidas para sempre.

Sob a direção de David Schwimmer, o filme, apesar de previsível, é um bom exemplo do que a superproteção dos pais pode trazer para a vida dos filhos e ao mesmo tempo, a falta de vigilância dos pais sobre o que os filhos fazem na internet. É um bom filme que trata do assunto de uma maneira real e que todos deveriam assistir ao menos uma vez na vida.

9 – Kramer vs. Kramer (1979)

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O filme nos conta a história da família Kramer. Nele, temos Ted Kramer (Dustin Hoffman), um profissional que tem o trabalho como preferência, onde sua família fica em segundo plano. 

Cansada dessa situação, sua mulher, Joanna (Meryl Streep),  decide sair de casa, deixando o filho do casal, Billy (Justin Henry), com o marido, que a partir desse momento tem que criar o filho sozinho, fazendo as tarefas domésticas e trabalhando ao mesmo tempo.

Quando o pai consegue conciliar o trabalho com os novos afazeres, Joanna reaparece exigindo a guarda do filho, mas, Ted se recusa e ambos vão ao tribunal para lutar pela guarda do garoto.

O filme, que é dirigido por Robert Benton, foi vencedor de 5 Oscars no ano de 1980 (melhor filme, melhor diretor, melhor ator, melhor atriz coadjuvante e melhor roteiro adaptado). É um filme que trata do assunto de uma maneira muito triste. Nós, telespectadores, ficamos divididos quando o casal briga pela guarda do filho. É um filme simples, mas que vale a pena ser visto.

8 – As melhores coisas do mundo (2010)

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Mano (Francisco Miguez) tem 15 anos e é um garoto que enfrenta todos os problemas de um adolescente. Um acontecimento que abala a família faz com que o garoto enfrente problemas na escola e em sua própria casa. O filme mostra como Mano enfrenta esses problemas com a ajuda dos amigos e familiares.

Dirigido por Laís Bodanzky, o filme brasileiro é outro exemplo de drama familiar que mostra as consequências e a forma com que a família lida com um problema que nem todos lares enfrentam. É um filme simples, mas cheio de lições. Vale a pena ser visto.

7 – Álbum de família (2013)

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Barbara (Julia Roberts), Karen (Juliette Lewis) e Ivy (Julianne Nicholson) são três irmãs que após um longo período separadas, precisam retornar para casa para cuidar da complicada mãe, Violet (Meryl Streep).

O reencontro, onde diversos outros parentes também fazem parte, desencadeia uma série de conflitos e discussões que, aos poucos, revelam segredos de vários e nos faz perceber que toda família tem seus vários problemas.

“Álbum de família”, dirigido por John Wells, é um bom exemplo de drama familiar. Cheio de atuações belíssimas de nomes como Meryl Streep e Julia Roberts, o filme é cheio de cenas fortes e extremamente dramáticas. Há quem ache esta obra monótona e parada, mas, para mim, o filme tem o ritmo ideal que o tema pede. É um belo filme sobre o tema.

6 – À procura da felicidade (2006)

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Chris Gardner (Will Smith), é um pai de família que enfrenta diversos problemas financeiros, vendendo aparelhos médicos com dificuldade, pois, por serem muito caros, ninguém quer comprar.

Cansada dos diversos problemas que a família enfrenta, a mulher, Linda (Thandie Newton), abandona a família, obrigando o marido a cuidar do filho, Christopher (Jaden Smith), sozinho.

Cheio de dívidas e problemas, Chris tenta superar todas as dificuldades que a vida lhe impõe, nunca perdendo a esperança.

Dirigido por Gabriele Muccino, o filme, de uma grande sensibilidade, nos mostra o drama de um pai tentando criar seu pequeno e ingênuo filho, batalhando e trabalhando para tentar reestruturar sua família. Um outro bom exemplo de drama familiar.

5 – Preciosa – uma história de esperança (2009)

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Claireece “Preciosa” Jones (Gabourey Sidibe), uma jovem de 16 anos, sofre durante sua adolescência. Abusada pela mãe (Mo’Nique), violentada pelo pai, cresce pobre, gorda, irritada, analfabeta e é despercebida por todos que a rodeiam.

Preciosa teve um filho, que está sob os cuidados da avó, com seu pai . Quando engravida pela segunda vez do pai, Preciosa é suspensa da escola. A diretora da escola consegue para ela uma escola alternativa que a ajudará a lidar melhor com a vida. Lá, a garota encontra um meio de fugir de sua realidade traumática, se refugiando em sua imaginação.

O filme, dirigido por Lee Daniels, ganhou 2 Oscars em 2010 (melhor atriz coadjuvante e melhor roteiro adaptado). Nele, podemos perceber o relacionamento conturbado que a protagonista enfrenta com a família, uma realidade muito comum nos lares pelo mundo.

4 – Um sonho possível (2009)

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Leigh Anne (Sandra Bullock) é uma mãe de família rica que acaba adotando o jovem negro, pobre e sem-teto Michael Oher (Quinton Aaron) e passa a educá-lo e cuidar de suas necessidades, ajudando-o e encorajando-o na sua carreira no futebol americano.

Com a ajuda da nova família e da escola, Michael tenta superar as suas dificuldades até chegar ao sucesso nessa sua nova vida, mudando não só a sua, mas a de todos os que estão em sua volta.

O filme, dirigido por John Lee Hancock, foi ganhador de um Oscar no ano de 2010 (melhor atriz). É outro drama familiar que trata da superação. É um filme bonito e verdadeiro, onde trata do preconceito de uma maneira única e deixa as diferenças de cor e raça de lado.

3 – Philomena (2013)

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Irlanda, 1952. Philomena Lee (Judi Dench) é uma jovem que tem um filho recém-nascido quando é mandada para um convento. Injustiçada pela tirania do convento, o filho é tirado de seus braços e adotado por um casal de americanos.

Após sair do convento, Philomena começa uma busca pelo filho perdido, juntamente com Martin Sixsmith (Steve Coogan), um jornalista de temperamento forte. Quando viajam para os Estados Unidos, recebem notícias arrasadoras sobre o filho e criam um forte laço de amizade.

O filme, dirigido por Stephen Frears, é baseado em uma história real e nos mostra o drama de uma mãe em sua busca desesperada pelo filho perdido. É um filme sensível, engraçado e ao mesmo tempo dramático, que nos coloca na pele de uma mãe que teve os seus direitos violados.

2 – Pequena Miss Sunshine (2006)

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Richard (Greg Kinnear), o pai, tenta desesperadamente vender seu programa motivacional para atingir sucesso… sem sucesso. Enquanto isso, Sheryl (Toni Collette), a mãe a favor da honestidade plena, tenta entrosar sua excêntrica família, incluindo seu depressivo irmão (Steve Carell), que acaba de sair do hospital após ser abandonado por seu namorado. Temos ainda a ala jovem da família Hoover: Olive (Abigail Breslin), com 7 anos de idade e aspirante a rainha de concurso de beleza, e Dwayne (Paul Dano), um adolescente que lê Nietzsche e fez voto de silêncio. Para completar a família temos o desbocado avô (Alan Arkin), cujo comportamento maluco fez com que recentemente fosse expulso do asilo de idosos. Quando Olive é convidada a participar do concurso de beleza “Pequena Miss Sunshine” na distante Califórnia, toda a família parte em uma velha kombi para torcer por ela… e o resultado desse apoio é simplesmente hilário.

O filme, dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris, foi ganhador de 2 Oscars no ano de 2007 (melhor ator coadjuvante e melhor roteiro original). O longa é um dos mais bonitos que já vi. A simplicidade do roteiro e as situações que tomam conta da família nos fazem entrar no filme e nos problemas que a família passa. É um dos exemplos mais verdadeiros de um drama familiar.

1 – Beleza americana (1999)

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A história focaliza duas famílias bem sucedidas que moram no interior dos Estados Unidos. Um dos casais tem um relacionamento de fachada, não fazem amor há anos, mas se toleram e jantam juntos todas as noites. Ele Lester Burnham (Kevin Spacey) decide fazer algumas pequenas mudanças na sua vida, mudanças que estão mais para a volta à adolescência do que para a crise de meia idade, resolve relaxar, larga o emprego, começa a fumar baseado e fazer musculação.

Quanto mais solto ele fica, mais feliz se torna, o que é ainda mais enlouquecedor para sua esposa, Carolyn (Annette Bening), e para sua filha, Jane (Thora Birch) especialmente quando ele vira seus olhos para a amiga de Jane, a sufocante Angela (Mena Suvari). Mas Carolyn revida dando uma atenção extra ao colega de trabalho Buddy Kane (Peter Gallagher).

Para completar o caos, os novos vizinhos são uma família igualmente turbulenta: o coronel da marinha certinho Fitts (Chris Cooper), sua mulher ociosa, Barbara (Allison Janney), e o filho distante, Ricky (Wes Bentley), que logo desenvolve uma certa fascinação por Jane.

O filme, dirigido por Sam Mendes, foi vencedor de 5 Oscars no ano de 2000 (melhor filme, melhor diretor, melhor ator, melhor roteiro original e melhor fotografia). O longa é o meu preferido, pois trata da hipocrisia de uma forma incrível. O famoso “as aparências enganam” é retratado de uma maneira digna. É um filme que todos devem assistir, que marca quem o vê e tem um final surpreendente.

10 dramas familiares que você deve assistir

Divergente: Uma distopia em seu nível mais radical ou uma utopia com pretensões de se tornar realidade?

Verônica Roth, 25 anos, natural de Chicago nos Estados Unidos é autora de um dos maiores sucessos editoriais da atual década. #1 na lista do New York Times, sua trilogia Divergente, de cunho distópico e jovem-adulto despertou muito além de fãs e chamou a atenção de diversas produtoras que se interessaram em produzir um filme para a história, mas a escolhida foi a Summit Entertainment, produtora popular por filmes como os da saga Crepúsculo e Sr. & Sra. Smith.

Pretendo focar esse post mais sobre minhas percepções sobre a produção e a adaptação cinematográfica do que na história do livro em si. Comecemos entendendo o fenômeno editorial e cinematográfico (3ª maior faturamento do gênero nos Estados Unidos) olhando os detalhes que compõem a trama. Divergente se passa na cidade natal da autora, Chicago. Porém, o cenário não é o mesmo conhecido por nós e sim um ambientado no futuro. Distopias estão em alta, essa série é mais um exemplo de como moralismos em forma de parábolas são cativantes. No futuro, não medido em tempo no livro ou no filme, a cidade de Chicago está dividida em cinco facções e completamente isolada da sociedade por trás dos limites do lugar. Essas cinco facções representam virtudes humanas, são elas: Erudição (Onde a sabedoria predomina), Amizade (Onde o contato com outras pessoas é essencial), Franqueza (Lugar da sinceridade e da verdade), Audácia (Os corajosos, destemidos e protetores) e Abnegação (Onde todas as vaidades humanas são esquecidas e o pensamento no outro é a luz). Aos 16 anos, 18 no filme, todos os jovens devem escolher o seu lugar. Ou ficam no seu lugar de nascença ou embarcam no caminho sem volta que significa ingressar em uma nova facção.

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Beatrice Prior, a personagem principal da história, é uma jovem nascida numa família tradicional da Abnegação. Ela está na véspera da escolha de qual será o rumo de sua vida e ela só tem uma certeza: A facção que abomina o egoísmo não é seu lugar.

Essa é uma pequena sinopse para você que não viu o livro, nem assistiu o filme. Agora, é hora de analisar a adaptação cinematográfica. Após minha leitura do livro, eu tinha certeza que seria um grande sucesso e mais uma “modinha” nas livrarias e nas salas de cinema. A história traz ação, aventura, uma lição de moral para aqueles que querem se apegar na dúvida sobre os futuros de nosso mundo e romance para tornar o gênero distopia ainda mais convidativo para a massa. No filme, porém, vemos os elementos do enredo colocados de um jeito arriscado e beirando os limites do aceitável para a crítica.

Nas páginas do livro, é possível compreender o significado do isolamento de Chicago, principalmente com a leitura do segundo exemplar da trilogia. Porém, no filme só se consegue visualizar pessoas ingênuas que estão confinadas porque acreditam que o mundo lá fora foi destruído, sem muitas tentativas de descobrir e entender melhor o significado disso.

A produção tem nomes fortes. Kate Winslet (Eterna Rose de Titanic e Clementine de Brilho Eterno…) vive a vilã da trama. Shailene Woodley, um nome que vem ganhando espaço na mídia e que já possui uma indicação ao Globo de Ouro, é o papel principal. Os efeitos especiais, trilha sonora e o ordenamento das cenas conquista rápido o público. Porém, a omissão de detalhes cruciais da história e a alteração de algumas passagens deixa tudo soando como uma utopia feita para divertir.

Espero que o segundo filme consiga tirar as dúvidas da real intenção de Divergente. A autora do livro criou um contexto que precisa ser absorvido com calma e a produção ainda não permitiu essa pausa para associar as ideias. Caberá ao diretor do segundo filme conseguir isso. Sempre comparada a Jogos Vorazes, a trilogia ambientada em Chicago pode seguir os mesmos passos da franquia ambientada em Panem e agradar de forma quase completa a crítica com sua continuação.

Insurgente está programado para Março de 2015. O livro já está nas prateleiras das livrarias. Se não conhece a história, corra atrás para conhecer antes de ver o filme e evitar aquele conhecido ponto de interrogação na mente.

Divergente: Uma distopia em seu nível mais radical ou uma utopia com pretensões de se tornar realidade?

Monstros: uma introspecção

Nesta noite de véspera do dia das mães estava com vontade de ver um filme em família. Convidei meus pais para assistirem a um filme que passaria pouco antes da meia-noite na televisão, intitulado “Onde vivem os monstros”. Confesso que há tempos estava com vontade de ver esse filme que logo me chamou a atenção pelo título e logo mais pela sinopse. Um amigo que me indicou e acabei aproveitando a oportunidade para assisti-lo.

Li várias opiniões positivas sobre o filme e isso acabou me motivando mais. Todas as pessoas diziam que o filme era espetacular e sensível, o que me trouxe grandes expectativas acerca dessa obra. Outro grande fator que me levou à curiosidade foi o fato de o diretor, Spike Jonze, ser o mesmo de um outro grande filme que muito me agradou, “Ela”, ganhador do Oscar de melhor roteiro original em 2014.

Logo na primeira cena, somos apresentados a um garoto hiperativo, por volta dos dez anos de idade, correndo desesperadamente pela casa atrás de um cachorro. Achei a cena engraçada e logo me simpatizei com o garoto que, logo descobri, se chamava Max.

Durante a trama, o garoto acaba tendo uma discussão com a mãe e foge de casa com uma fantasia de monstro e começa uma viagem por sua própria imaginação, onde nós, telespectadores, invadimos sem que o protagonista perceba e acabamos viajando juntamente com ele até uma ilha onde criaturas estranhas e falantes habitam. O garoto se envolve com os “monstros”, primeiramente representando uma ameaça a ele, mas observamos que as criaturas simpatizam com o garoto quando este diz que tem superpoderes que podem os ajudar, fazendo assim com que ele seja nomeado rei daquele lugar.

6x4-alexander-maxO filme é cheio de cenas e diálogos excêntricos e durante a trama podemos perceber que os diversos monstros que o garoto encontra naquele seu novo “reino” são apenas personificações de si mesmo, cada um com uma parte de seu próprio eu. Raiva, alegria, excentricidade, compaixão, introspecção, cada um sendo representado por um monstro.

Isso nos faz refletir que, não só as divagações infantis são completamente confusas, mas também as nossas. Max fugiu para esse abrigo imaginário para fugir das frustrações da vida real, para enfrentar seus próprios monstros, seu próprio eu. E assim nós fugimos para nossos próprios devaneios e enfrentamos nossos próprios monstros, o que o filme mostra de uma maneira sensível e única.

Nós somos nossos próprios monstros.

Monstros: uma introspecção

Quando a melancolia fica bêbada: Tove Lo, uma grande aposta para 2014.

O foco do cenário musical está cada vez mais se afastando das terras dos Estados Unidos. Agora, vemos nomes como Lorde, Adele, Jake Bugg, Iggy Azalea e Icona Pop fazerem parte dos charts e do mercado mainstream. Todos artistas não norte-americanos e exemplos de como as paradas musicais andaram se modificando no curto período dessa década atual.

Hoje, irei falar sobre mais um exemplo. Porém não pense que se trata de alguém sem pretensões ou que surgiu no mercado por acaso. A personalidade que é o assunto de hoje é a sueca Tove Lo.

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Ebba Tove Elsa Nilsson, conhecida pela brincadeira que é seu nome artístico (A moça fez um trocadilho com seu nome de batismo e o verbo To Love) é um dos nomes mais promissores que apareceram até agora no ano de 2014, Tove Lo.

A compositora não entrou no mercado musical sem preparo, ela é advinda de uma instuituição sueca renomadíssima na área artística, a Rytmus Musikergymnasiet. Tove também escrevia poesias e pequenas histórias na infância e isso se reflete até hoje nas suas músicas profundas e com diversos significados. O primeiro passo de destaque em sua carreira foi a participação como compositora no time do também sueco, Max Martin, responsável por hits estrondosos de Katy Perry, Britney Spears, Taylor Swift e outros artistas. Um pouco mais além, em 2012, Tove Lo lançou seu primeiro single, “Love Ballad”, que é seguido de outros trabalhos em conjunto com outros artistas. Nenhum desses trabalhos chamou muita atenção para a artista, a visibilidade aparece quando Tove lança seu terceiro single no final de 2013, Habits, que alcança o top 10 da Dinamarca e mais tarde é relançado numa versão remixada pelo rapper Hippie Sabotage. Essa nova versão faz o nome de Tove começar a tocar ao redor do mundo todo. “Stay High” alcançou a sexta posição dos charts britânicos e entrou no top 100 dos Estados Unidos.

Em março de 2014, Tove lançou seu primeiro EP, o Truth Serum, que para mim, é um dos melhores trabalhos do ano. Composto por 6 faixas, o EP é um conjunto de canções sobre o lado obscuro do amor. Com instrumentais de fácil assimilação pelo público mainstream, porém de forte consistência e produção, Truth Serum traz letras carregadas de verdades dolorosas sobre o amor e os efeitos negativos deste. Em Not On Drugs, minha faixa favorita e a primeira do EP, Tove inicia com uma inconfundível linha psicodélica e carregada de tensão e emoções. Nessa canção, a artista declara que não está usando drogas e sim apaixonada. Porém, diversas referências como “I’m tripping in my empire state of mine” nos faz deduzir que a cantora não está na mesma realidade da maioria e isso levanta a dúvida se a personagem está em estado sóbrio, algo comum para todos nós quando ouvimos relatos de um viciado em substâncias químicas. O álbum segue com Paradise e Over, e é possível notar que um conturbado relacionamento, iniciado com a primeira faixa do álbum parece ir afundando na medida em que o EP chega ao seu fim. O ponto mais brusco do álbum é Habits, a quarta faixa do trabalho e o primeiro single oficial do mesmo. Nessa faixa, Tove Lo conta como uma personagem reage ao término cruel do relacionamento deturpado iniciado na primeira faixa do Truth Serum. A cantora conta nessa faixa como deseja ficar chapada, inconsciente e fora de si por causa da dor e da perda do vínculo amoroso, além do efeito dominó desse acontecimento. A história do EP se finaliza em Out of Mind, em que a protagonista se conforma que precisa seguir em frente e nota que isso é necessário, apesar de doloroso. Mesmo com o fim da história, o EP ainda possui uma faixa. Porém não há nada novo, apenas uma visão retrabalhada de Habits, o remix Stay High produzido por Hippie Sabotage. Eu acho insuportável essa versão, pois ela tira totalmente a magia que a leitura original tem. Porém, é inevitável o fato que esse serviu para impulsionar o nome de Tove Lo e tirá-la da escuridão.

Tove Lo é o meu tipo favorito de artista e uma grande inspiração, apesar de conhecê-la há pouco tempo. As letras possuem traços da personalidade que Tove deseja imprimir no mercado musical e em seus trabalhos. A melodia traz misturas novas para um mercado exageradamente homogêneo. Além do fato da coragem que a artista tem ao não se conformar com a dominação norte-americana na área musical. O nome dela cada vez mais vem ganhando visibilidade e a própria já confirmou que esse ano lançará seu primeiro álbum. Vamos esperar pela destruição e estrondo que esse álbum causará nas estruturas atuais da música.

Desejo que vocês escutem o Truth Serum inteiro e tirem suas próprias conclusões sobre a incrível e grande artista, Tove Lo. Abraços e até o próximo post daqui do Eclipse Reverso.

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Quando a melancolia fica bêbada: Tove Lo, uma grande aposta para 2014.

Metas x Realidade

2014 foi considerado por mim, acredito que por muitos, um ano para ser tudo que 2013 não conseguiu. No fim do ano passado, 2013, eu fiz diversas promessas e por incrível que pareça, várias delas estão sendo cumpridas. Porém, na vida as coisas nunca parecem bastar. Chega o momento em que você atinge a linha de chegada, mas nota que o destino não é o que você imaginava. Em 2013 cometi diversos erros e não me arrependo deles porque noto que eles foram essenciais e inevitáveis para eu estar onde estou agora.

Acho que se você seguir as suas metas a risca, você acabará notando que a realidade estará fugindo do seu controle. Você pode treinar exaustivamente para um evento esportivo e perceber no fim das contas que sua saúde não permite competições do tipo. A vida é esse jogo de metas versus que nos deixa sem chão. Mas como viver sem tropeçar as metas sobre a realidade? Acho que a vida deve ser vivida numa espécie de brainstorming controlado. Você simplesmente faz as atividades que deseja fazer, mas as controla com o filtro de coisas que você precisa fazer. Talvez assim a coisa funcione.

Esse texto foi uma espécie de brainstorming pessoal. Eu estava pensando em simplesmente desabafar, afinal estou no conflito metas x realidade. No meu caso, esse desafio se resume em: twitter x citologia. Como é de praxe finalizar um texto, e eu sempre tenho dificuldade em concluir as coisas, espero que as pessoas se inspirem a viver suas vidas sem muito freio, mas também que não percam a parada no local de destino. Acho que assim todos estaremos realmente usando o verbo viver no gerúndio. 

 

Metas x Realidade